A abstenção em Portugal: diagnóstico e soluções

Temos as gerações mais bem preparadas de sempre. Atingimos os melhores indicadores de educação e saúde da nossa história: nunca tantas pessoas em Portugal tiveram educação secundária e superior; nunca os portugueses viveram tanto. Os indicadores de qualidade de vida são os melhores de sempre. O PIB per capita, apesar da recessão no início da década, está no seu nível máximo.

E, no entanto, há vinte anos que a abstenção sobe paulatinamente. Entre 1995 e 2015, em eleições legislativas, a participação eleitoral desceu 500 mil votos (no mesmo período, os cinco maiores partidos políticos perderam 800 mil votos). Já em eleições presidenciais, por exemplo, entre 1996 e 2016, a participação eleitoral desceu um milhão de votos.

Os enormes ganhos de bem-estar social coincidiram com um aumento significativo da abstenção.

Porquê? Como? Será um fenómeno português ou parte de uma tendência das democracias ocidentais? Será a democracia vítima do seu sucesso? O que significa a abstenção: alheamento e indiferença? Ou será uma linguagem silenciosa de protesto? Porque não votam os mais jovens? Que desigualdades sociais, económicas e territoriais existem na participação eleitoral? Quais são as implicações que diferentes métodos de medição da participação eleitoral acarretam para a nossa perceção da abstenção? De que modo é que as dinâmicas de emigração afetam os valores oficiais das taxas de participação?

Aproximam-se novas eleições legislativas (2019), europeias (2019) e presidenciais (2021). Pode uma democracia saudável coexistir com uma participação eleitoral cada vez menor? Será este fenómeno reversível? Haverá mudanças no sistema político e eleitoral que mobilizem mais participação eleitoral? Será que temos a administração do processo eleitoral que combate mais efetivamente a abstenção? Que exemplos de reformas políticas noutros países tiveram um impacto positivo na participação eleitoral? Deverão promover-se fenómenos de democracia direta (por exemplo, referendo) para aligeirar o peso da democracia representativa? Deveria o voto ser obrigatório? O voto é um dever cívico ou um dever jurídico? O que significa uma vivência plena da cidadania? E qual o papel das novas tecnologias e das redes sociais no exercício do voto?

Sem soluções definitivas e com a natural pluralidade de pontos de vista, este é um debate que deve convocar a sociedade portuguesa. Trata-se da nossa democracia. Trata-se do nosso futuro!

Programa

09:00

Abertura

Miguel Pinto Luz (Conselho Estratégico l PT Talks) e Isabel Oneto (Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna)

09:35

Introdução ao tema

Nuno Garoupa

09:50

Keynote, Andre Blais
Chair: Nuno Garoupa

10:50

Coffee-break

11:10

Caracterização da Abstenção em Portugal

João Cancela

11:30

Primeira Sessão: Retrato da Abstenção.
Chair: Pedro Magalhães

Pedro Vicente, Susan Banducci, Pedro Riera

13:15

Almoço

14:15

Segunda Sessão: Direito e Dever do Voto.
Chair: Catarina Santos Botelho

Jorge Pereira da Silva, Mariana Lopes da Fonseca, Andreia Sofia Pinto de Oliveira

16:00

Coffee-break

16:15

Terceira Sessão: Sistema eleitoral e Abstenção.
Chair: Marina Costa Lobo

Jean-Benoit Pilet, Manuel Meirinho Martins, Joana Azevedo

18:05

Encerramento pelas entidades oficiais

Carlos Carreiras (Presidente da Câmara Municipal de Cascais) e Eduardo Ferro Rodrigues (Presidente da Assembleia da República)

Programa da Conferência

Clique para obter o programa em formato de impressão.

Oradores

Especialistas e académicos e as razões pelas quais os devemos ouvir.

Pedro
Riera

Professor

Jean-Benoit
Pilet

Professor de Ciências Políticas

Manuel
Meirinho Martins

Professor Catedrático

Pedro
C. Vicente

Professor; Investigador

André
Blais

Professor de Ciências Políticas

Joana
Azevedo

Professora e Investigadora

Mariana
Lopes da Fonseca

Investigadora Científica

Pedro
Magalhães

Cientista Político; Investigador

Andreia Sofia
Pinto Oliveira

Professora

João
Cancela

Investigador e Docente

Marina
Costa Lobo

Cientista Política e Investigadora

Susan
Banducci

Professora; Investigadora

Catarina
Santos Botelho

Professora; Investigadora

Jorge
Pereira da Silva

Diretor Fac. de Direito l UCP

Nuno
Garoupa

Professor de Direito

Comissão Científica

Os peritos responsáveis pelo concept paper, o programa e a organização do Grupo de Trabalho.

Nuno Garoupa

Professor há quase vinte anos, é atualmente professor de Direito na George Mason University Antonin Scalia School of Law desde Setembro de 2018. Entre 2014 e 2016 foi Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Catarina Botelho

É professora auxiliar na Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto, onde coordena e leciona várias unidades curriculares de licenciatura, mestrado e doutoramento. Integrou conselhos científicos e executivos de dezenas de conferências, nacionais e internacionais e é autora de inúmeras publicações.

Marina Costa Lobo

É Cientista Política no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, especializada em estudos comparativos de instituições políticas e comportamento eleitoral. Desde 2002 que está envolvida num projeto que estuda as principais eleições portuguesas.

Pedro Magalhães

É investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e, entre 2014 e 2017, foi diretor científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Atualmente, dirige o consórcio PASSDA-Production and Archive of Social Science Data.

Timeline

24 Jan, 2016

Eleição para o Presidente da República 2016

Na eleição presidencial de 2016, que foi ganha na primeira volta por Marcelo Rebelo de Sousa (52% dos votos válidos), a afluência às urnas ficou abaixo dos 50% dos eleitores recenseados.  Foi a primeira vez que tal sucedeu numa eleição presidencial em que o incumbente não se recandidatava. 

Antes e depois da eleição, vários analistas sugeriram que a convicção generalizada de que Marcelo Rebelo de Sousa venceria a eleição à primeira volta terá contribuído para a fraca taxa de participação. Na edição do jornal Público do dia seguinte às eleições (25/1/2016), podia ler-se que a justificação não podia ser o tempo, que “nem dava para a praia nem impedia que se saísse de casa”. 

4 Out, 2015

Eleições para a Assembleia da República 2015

As legislativas de 2015 apresentam a mais baixa taxa oficial de participação de todas as eleições para a Assembleia da República já realizadas. Como se assinalou na edição do Expresso de 10 de Outubro de 2015, a taxa de abstenção registada foi cinco vezes superior à da eleição para a Assembleia Constituinte. 

Se em anos anteriores anos as principais reservas relativamente à magnitude da evolução da abstenção se relacionavam sobretudo com a desactualização dos cadernos eleitorais e a inclusão de “eleitores-fantasmas” já falecidos, vários especialistas salientaram o impacto que o aumento da emigração pode ter tido na inflação dos números da abstenção da população residente. 

5 Jun, 2011

Eleições para a Assembleia da República 2011

Realizadas na sequência do pedido de demissão de José Sócrates, em plena crise da dívida soberana e no quadro do pedido de resgate às instituições comunitárias e ao FMI, as eleições de 2011 conduziram ao regresso ao poder de PSD e CDS, que juntos obtiveram uma maioria de deputados.

Na sequência de mais uma descida ligeira da taxa de participação, várias vozes – incluindo a do Presidente da República – apelaram a uma revisão dos cadernos eleitorais de modo a que estes reflectissem as dinâmicas demográficas e migratórias, permitindo assim aproximar os valores “oficiais” da taxa de abstenção dos “reais”.

23 Jan, 2011

Eleição para o Presidente da República 2011

A reeleição de Cavaco Silva (com 53% dos votos validamente expressos) teve a taxa oficial de participação mais baixa entre as eleições presidenciais realizadas desde a democratização.

Além de ter baixado a proporção daqueles que se deslocaram às urnas, a proporção de votos nulos e em branco atingiu os 6,2%, o que constituiu o valor mais alto da história eleitoral portuguesa.

27 Set, 2009

Eleições para a Assembleia da República 2009

Esta foi a primeira eleição para a Assembleia da República após as alterações introduzidas ao modelo de recenseamento, que passou a estar associado ao registo no arquivo nacional de identificação. Se por um lado esta alteração gerou a expectativa de que no médio prazo o número de “eleitores-fantasmas” viesse ser a reduzido, por outro a inscrição automática de eleitores que até então não se tinham recenseado foi encarada como um potencial catalisador da taxa de abstenção. Na prática, observou-se um aumento da taxa abstenção por todo o território, mas em especial no Centro.

22 Jan, 2006

Eleição para o Presidente da República 2006

A eleição presidencial de 2006 registou um aumento na taxa de participação dos eleitores recenseados face à eleição de 2001, como tem sido a norma quando está em causa a escolha de um novo titular para o cargo.

No quadro de uma pluralidade de candidaturas à esquerda, impedir que os eleitores deste segmento se abstivessem foi considerado crucial para evitar uma vitória de Cavaco Silva na primeira volta. Contudo, os 50,5% de votos obtidos pelo candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS foram suficientes para dispensar a realização de uma segunda volta. 

20 Fev, 2005

Eleições para a Assembleia da República 2005

Na sequência da dissolução da Assembleia da República por Jorge Sampaio e da convocação de eleições legislativas, inverteu-se a tendência de aumento da taxa abstenção, que pela primeira vez desde 1980 se reduziu face à eleição anterior. 

Para a redução da abstenção contribuiu, em especial, o aumento de participação na Área Metropolitana do Porto e no Alentejo.

O PS obteve a sua primeira maioria absoluta com 45% dos votos e 121 mandatos (de 230). 

17 Mar, 2002

Eleições para a Assembleia da República 2002

Após a demissão de António Guterres na sequência de um fraco resultado nas autárquicas de 2001, as eleições de 2002 resultaram numa coligação governamental entre PSD e CDS-PP, que uniram esforços pela primeira vez desde a Aliança Democrática liderada por Sá Carneiro.

De acordo com a análise dos resultados publicada no jornal Público de 18 de Março de 2002, a elevada abstenção foi “sinal de uma má campanha eleitoral e de líderes sem o carisma de outros tempos.”

14 Jan, 2001

Eleição para o Presidente da República 2001

Num contexto em que a reeleição de Jorge Sampaio foi desde cedo dada como altamente provável, a marca dos 50% de abstenção foi pela primeira vez ultrapassada em eleições para a Presidência da República. Para isto contribuiu a expansão do universo eleitoral das eleições presidenciais, que passou pela primeira a incluir os portugueses recenseados no estrangeiro. Nesta eleição, só 8,3% dos eleitores recenseados no estrangeiro exerceram o seu direito de voto. 

10 Out, 1999

Eleições para a Assembleia da República 1999

Antes das eleições para a Assembleia da República de 1999, procedeu-se a uma “limpeza” dos cadernos eleitorais de modo a expurgar os registos de eleitores já falecidos e que ainda constavam da base de dados; esta foi a primeira (e única) eleição em que o número efectivo de recenseados desceu face à eleição anterior, com menos 42000 eleitores recenseados do que em 1995. Contudo, tal não impediu o aumento da taxa de abstenção em cinco pontos percentuais. 

No rescaldo das eleições, a elevada taxa de abstenção foi considerada um dos motivos pelos quais o PS ficou aquém da maioria absoluta.

14 Jan, 1996

Eleição para o Presidente da República 1996

Na disputa pela sucessão a Mário Soares, Jorge Sampaio derrotou Cavaco Silva. Nesta eleição registou-se uma taxa de participação praticamente idêntica à das eleições para a Assembleia da República que se tinham realizado três meses antes. 

1 Out, 1995

Eleições para a Assembleia da República 1995

As eleições de 1995 colocaram termo à sequência de vitórias eleitorais do PSD, tendo o PS liderado por António Guterres obtido uma maioria relativa de votos (43,8%) e mandatos (112 em 230).

Numa época em que o aumento da abstenção começava a ser encarado com alguma apreensão, as camadas mais jovens da população eram alvo de atenção especial. De acordo com a edição do jornal Expresso de 23 de Setembro de 1995, eram os jovens – alguns deles já nascidos em democracia – aqueles que mais se abstinham, e muitos deles nem se recenseavam. Na mesma peça, a morosidade do processo de recenseamento era descrita como sendo um dos motivos de dissuasão da participação eleitoral por parte dos mais jovens.  

6 Out, 1991

Eleições para a Assembleia da República 1991

Nas eleições que conduziram à segunda maioria absoluta consecutiva para o PSD liderado por Cavaco Silva, outros dados a destacar são o ocaso completo do PRD e a eleição de um deputado por parte do recentemente fundado Partido da Solidariedade Nacional. 

No que toca à queda da participação, análises posteriores revelaram que nestas eleições o principal prejudicado pelo aumento da abstenção “política” (em oposição à “técnica”) terá sido o PCP (Freire 2000).

13 Jan, 1991

Eleição para o Presidente da República 1991

Num contexto marcadamente distinto face à eleição presidencial anterior, a reeleição de Mário Soares foi dada como facto consumado à partida, tendo mesmo reunido o apoio da liderança do PSD de Cavaco Silva. Tal terá contribuído não só para a larga vantagem de Soares (70% dos votos validamente expressos) sobre Basílio Horta (14,2%), Carlos Carvalhas (12,9%) e Carlos Silva (2,6%) como também para a diminuição acentuada da participação eleitoral face a 1986.

19 Jul, 1987

Eleições para a Assembleia da República 1987

Nestas eleições que resultaram na primeira das duas maiorias absolutas do PSD de Cavaco Silva, e em que pela primeira vez um partido obteve mais de metade dos votos expressos, a taxa de abstenção manteve a sua trajectória ascendente. Esta jornada eleitoral incluiu a realização simultânea da primeira eleição de deputados portugueses ao parlamento europeu.

No que toca à distribuição geográfica da abstenção, esta aumentou moderadamente em algumas zonas do Baixo Alentejo que até então vinham apresentando alguns dos níveis de participação mais altos do país. 

Na imprensa, o discurso acentuou o aumento de importância de uma categoria específica de eleitores: os indecisos. De acordo com algumas das análises publicadas na época, a subida da abstenção poderia ser parcialmente explicada como o aumento de preponderância deste grupo na sociedade. A circunstância de a eleição se ter realizado na segunda metade de Julho motivou apelos reforçados à mobilização por parte das diferentes lideranças. 

16 Fev, 1986

Eleição para o Presidente da República 1986 (2ª v)

Face aos resultados da primeira volta, uma das dimensões fundamentais na estratégia de campanha da candidatura de Mário Soares passou por apelar aos eleitores que tinham votado nos candidatos que não passaram à segunda para que não se abstivessem, congregando assim apoios que permitissem derrotar Freitas do Amaral. Tal veio efectivamente a verificar-se, tendo Soares obtido 51,2% contra 48,8% dos votos válidos. 

Apesar de as taxas de participação em ambas as voltas terem sido inferiores às da eleição presidencial anterior, foram ainda assim mais elevadas do que nas eleições legislativas anteriores e subsequentes, o que mostra a relevância de que se revestiu este acto eleitoral.

26 Jan, 1986

Eleição para o Presidente da República 1986 (1ª v)

Naquela que foi a única eleição presidencial até à data em que houve necessidade de recorrer a uma segunda volta, a pluralidade de candidaturas – sobretudo à esquerda – levou a uma campanha intensa e altamente disputada.

A relativa proximidade das últimas eleições legislativas, associada à multiplicidade de candidaturas à esquerda no espectro político, levou a que um dos principais vectores da campanha e da cobertura mediática tenha sido a tentativa de mobilizar e influenciar o sentido de voto dos abstencionistas na eleição celebrada meses antes. 

5 Out, 1985

Eleições para a Assembleia da República 1985

No quadro de um sistema partidário relativamente estável, pelo menos no que toca à composição do Parlamento, as eleições legislativas de 1985 ficaram marcadas pela emergência abrupta de um novo partido na cena política: o PRD, promovido por Ramalho Eanes, à época ainda o Presidente da República. 

A taxa de participação desceu três pontos percentuais nesta eleição. Ainda que de modo residual, para tal contribuiu o aumento dos protestos sob a forma de boicotes eleitorais, sobretudo em freguesias rurais. Um exemplo claro é o de Canedo, no concelho de Ribeira de Pena, onde não se registou qualquer voto entre os 719 eleitores inscritos nesta freguesia. Pela primeira vez, toda a população de uma freguesia absteve-se de votar numa eleição para a Assembleia da República como forma de protesto. 

25 Abr, 1983

Eleições para a Assembleia da República 1983

Nestas que foram as primeiras eleições para a Assembleia da República após a revisão constitucional de 1982 – que trouxe importantes alterações à arquitectura do sistema político português – registou-se uma queda significativa na proporção de votantes entre os recenseados, que desceu pela primeira vez abaixo dos 80%. Uma das interpretações para esta descida significativa da taxa de participação é que, terminado o ciclo de intensa mobilização popular na fase fundadora da democracia portuguesa, viviam-se agora anos de descontentamento face à situação económica que resultaram num progressivo afastamento dos cidadãos face às diferentes forças políticas (Espírito Santo 2015).  

O cenário que resultou das eleições foi inovador: a liderança da AD deu lugar ao chamado governo de “bloco central”, que congregou o PS de Mário Soares e o PSD liderado por Mota Pinto (e, após a demissão deste, por Rui Machete).

7 Dez, 1980

Eleição para o Presidente da República 1980

Na eleição presidencial de 1980, Ramalho Eanes enfrentou a oposição de Soares Carneiro, candidato apoiado pela maioria de direita da AD. 

Esta foi, até hoje, a única eleição presidencial em que o incumbente se recandidatou e em que a taxa de participação subiu face à eleição anterior. Para tal poderá ter contribuído a percepção de uma disputa mais acesa, comprovável aliás pela margem de vitória mais estreita de Ramalho Eanes, bem como a comoção provocada pela morte de Francisco Sá Carneiro três dias antes do dia da eleição. 

5 Out, 1980

Eleições para a Assembleia da República 1980

Em 1980, a AD reforçou a sua votação (44,9%) e a sua maioria parlamentar, que passou a absoluta pela margem mínima (126 mandatos em 250). 

A taxa de participação subiu muito ligeiramente face às eleições do ano anterior, fruto sobretudo da redução da abstenção no distrito do Porto (Belchior 2015); desde então, a taxa de participação em legislativas não viria a ultrapassar os 80%.

2 Dez, 1979

Eleições para a Assembleia da República 1979

Foi num quadro de instabilidade política marcada por uma sucessão de governos de iniciativa presidencial que decorreram as eleições legislativas de 1979. PPD-PSD, CDS e PPM, que se apresentaram coligados como “Aliança Democrática”, obtiveram uma maioria relativa de votos (42,5%) e mandatos (121 em 250) que permitiu dar início a um ciclo de governação da direita liderada por Sá Carneiro.

Apesar de alguns vaticínios de que a população se encontraria mais desligada da política do que nos anos imediatamente seguintes à revolução, a taxa de participação dos eleitores recenseados manteve-se acima dos 80%. Entre os factores apontados na imprensa da época para o que se considerou uma elevada participação eleitoral contaram-se a dramatização e a polarização da campanha, a sensibilização para o voto por parte da Igreja Católica e o tempo ameno que se fez sentir – apesar de a eleição se ter realizado em Dezembro. 

Pela primeira vez, o número de votantes ultrapassou os seis milhões. Os níveis de participação baixaram de modo considerável nos círculos da emigração.

27 Jun, 1976

Eleição para o Presidente da República 1976

Na primeira eleição presidencial da democracia portuguesa, Ramalho Eanes foi apoiado pelos principais partidos com assento parlamentar, à excepção do PCP, e obteve 61,6% dos votos. Seguiram-se Otelo Saraiva Carvalho (16,5%), Pinheiro de Azevedo (14,4%) e Octávio Pato (7,6%).

Esta eleição presidencial ficou marcada pela abstenção de aproximadamente um quarto dos recenseados. Entre as explicações avançadas à época destacava-se a reduzida competitividade da eleição, dado que a vitória de Ramalho Eanes era encarada à partida como mais que provável. Por outro lado, foi também assinalada a concentração de actos eleitorais num curto intervalo de tempo e o facto de a eleição se ter realizado no final de Junho.

As implicações políticas do aumento da abstenção foram objecto de debate, sugerindo alguns comentadores que daí podia decorrer um menor grau da legitimidade conferida ao novo Presidente da República.

25 Abr, 1976

Eleições para a Assembleia da República 1976

A 25 de Abril de 1976 foram eleitos os primeiros deputados à Assembleia da República, o órgão representativo instituído pela recém-aprovada constituição. Por comparação com os resultados da eleição celebrada um ano antes, que havia definido a composição da Assembleia Constituinte, os partidos que mais cresceram foram o CDS (que mais que duplicou a sua votação) e o PCP, a expensas do PS e PPD.

Na edição do Expresso imediatamente anterior às eleições, foi aventada a possibilidade de a chuva dissuadir alguns eleitores. Na edição seguinte do mesmo semanário, a descida da taxa de participação em cerca de 8 pontos percentuais foi interpretada como uma consequência de níveis mais reduzidos de “euforia” entre a população. Começaram também a ser assinaladas as assimetrias geográficas na distribuição da abstenção, destacando-se os altos níveis de participação na área do Porto por contraposição aos dos Açores.

25 Abr, 1975

Eleições para a Assembleia Constituinte 1975

Na primeira eleição plenamente livre realizada em Portugal, a afluência às urnas foi massiva (91,7%) e interpretada como um sinal de clara adesão da população ao regime democrático. A taxa de participação eleitoral registada foi a mais elevada de todos os actos eleitorais que já ocorreram no país.

As eleições celebraram-se após um intenso esforço de mobilização, promovido não só por partidos e instituições políticas como também por militares, imprensa, igreja e diversos sectores da sociedade portuguesa. Em paralelo, num prazo relativamente estreito, decorreram as complexas operações de recenseamento. 

A força política mais votada foi o Partido Socialista, que obteve 37,9% dos votos. Alcançaram também representação na Assembleia Constituinte o PPD (26,4%), o PCP (12,5%), o CDS (7,6%), o MDP (4,1%), a UDP (0,8%) e a Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (0,03%). 

O QUE É A ABSTENÇÃO?

A abstenção pode definir-se como o não exercício, voluntário ou não, do direito de voto que decorre da capacidade eleitoral ativa. Em cada eleição, algumas pessoas irão exercer esse direito, enquanto outras se irão abster.

Para além da idade (maiores de 18 anos), a capacidade eleitoral ativa depende da nacionalidade, do local de residência e do tipo de eleição. O gráfico seguinte resume o acesso por grupos de cidadãos.

Fonte: Nuno Oliveira (2017), “Os imigrantes de que não se fala. Participação política e cívica de cidadãos comunitários não nacionais residentes em Portugal”, in Revista Migrações, dezembro 2017, n.º 14, Lisboa: ACM, p. 63

A TAXA DE ABSTENÇÃO

A taxa de abstenção corresponde à proporção dos votantes no total de inscritos. No entanto, o total de inscritos não é fácil de determinar, devido a fatores como óbitos ou migrações. Isto pode sobre-avaliar a abstenção.

O gráfico seguinte mostra que, se compararmos com as estimativas da população, em 2009 havia mais 13,6% de inscritos que população estimada, afetando sobretudo pessoas entre 40 e 50 anos e mais de 80. Esta situação manteve-se na última década.

 

Fontes: cálculos a partir das estimativas de população residente (INE) e dos números do recenseamento Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna.

A PARTICIPAÇÃO E ABSTENÇÃO VARIAM AO LONGO DO TEMPO E POR TIPO DE ELEIÇÃO…

Fontes: Comissão Nacional de Eleições e Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA)

Eleições para a Assembleia da República. Os altos níveis de participação nas eleições fundadoras da democracia portuguesa em 1975 foram interpretados como um sinal de clara adesão da população ao regime democrático em todo o território nacional. Entre 1975 e 2015, a taxa oficial de participação baixou dos 92% para os 55%: um aumento da abstenção de 9 pontos percentuais por cada década.

Eleições para a Presidência da República. Nas últimas três décadas, as eleições para um segundo mandato presidencial têm sido menos participadas, ao passo que as eleições em que os presidentes não se recandidatam são pautadas por um aumento da participação. Desde 2001, os portugueses residentes no estrangeiro também podem votar, o que contribuiu para o aumento da taxa de abstenção.

Eleições para as Autarquias Locais. O poder local tem sido o principal alvo de alterações no modo de eleição. A partir de 1989, a periodicidade passou de três para quatro anos. Introduziram-se a possibilidade da candidatura de movimentos de cidadãos às câmaras municipais (2001) e a limitação de mandatos (com efeitos em 2013). Investigações já realizadas mostram que estas duas medidas tiveram um impacto positivo nos níveis de participação.

Eleições para o Parlamento Europeu. À semelhança do que ocorre noutros Estados-membros, são as eleições que menos têm mobilizado os cidadãos portugueses para as urnas. As eleições para o Parlamento Europeu de 1987 realizaram-se em simultâneo com a seleção de representantes para a Assembleia da República, o que ajuda a explicar o baixo valor de abstenção.

… POR GRUPOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS…

As assimetrias de voto entre diferentes grupos da população podem originar desigualdades de representação política. Com base nas respostas ao inquérito pós-eleitoral de 2015 conduzido pelo projeto Comportamento Eleitoral dos Portugueses é possível perceber quais são as caraterísticas individuais mais associadas à participação e à abstenção. Entre os fatores com mais peso explicativo encontram-se a idade, a situação face ao mercado de trabalho e o sentimento de proximidade face a um partido político.

Fonte: Inquérito Pós-Eleitoral de 2015, Programa Comportamento Eleitoral dos Portugueses – Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

… E A NÍVEL REGIONAL

A geografia da participação eleitoral em Portugal apresenta variações importantes. A abstenção nas eleições para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e Presidenciais é tipicamente mais baixa nos municípios urbanos, em especial nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, e mais alta nas zonas rurais, com destaque para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira. O quadro é bastante diferente nas eleições autárquicas: aí a abstenção tende a ser mais baixa nos municípios com um perfil rural e mais alta nas zonas urbanas, especialmente no Algarve e na área metropolitana de Lisboa.

Fonte: Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna / PORDATA

HÁ UM DECLÍNIO GENERALIZADO DA PARTICIPAÇÃO ELEITORAL

Ainda que não seja um problema apenas nacional, Portugal inclui-se entre os países com os declínios de participação eleitoral mais pronunciados. Se, nas primeiras eleições democráticas na década de 1970, os níveis de participação eram dos mais altos à escala europeia, nas décadas subsequentes este posicionamento comparativo foi baixando. A descida progressiva dos valores de participação oficial, tanto nas eleições legislativas como presidenciais e europeias, aproxima Portugal do padrão observado na Europa de Leste.

Fonte: Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA)

O QUE PODEMOS FAZER

Voto obrigatório.

  • Vários estudos mostram que conduz a níveis de participação eleitoral mais elevados.
  • Reduz as desigualdades de participação com uma base socio-económica.
  • Comporta uma restrição à liberdade individual.

Voto antecipado.

  • Em Portugal apenas é possível em circunstâncias bastante restritas.
  • Noutros países é alargado a todos os eleitores.
  • Redes amplas de pontos de voto: estações de correios, lares de idosos, centros comerciais ou universidades.
  • Influencia positivamente os níveis de participação, ainda que de forma modesta.
  • Obriga a que os cadernos eleitorais estejam desmaterializados.

Voto remoto.

  • Apelos à adoção do voto eletrónico como estratégia de redução da abstenção, sobretudo entre as gerações mais jovens.
  • O único país em que o voto eletrónico remoto é possível é a Estónia.
  • Tem contribuído para a contenção dos níveis de abstenção.
  • Limita a confidencialidade do voto e facilita a coação.
  • Dúvidas relacionadas com a segurança informática.

Incentivo ao dever cívico.

  • Fomentar o interesse na política e o sentimento de dever cívico junto de segmentos específicos da população, nomeadamente os mais jovens.
  • Experiência nas escolas da Dinamarca e Noruega: simulação de eleições antecedida de debates com representantes dos partidos.
  • Aumento da predisposição para o voto nas eleições “reais” na população-alvo.
  • Redução do fosso de participação entre jovens e a restante população.

Oradores

Pedro Riera

Local

Universidade Carlos III de Madrid

Funções

Assistant Professor at the Department of Social Sciences

Áreas de especialidade

Political Science

Oradores

Joana Azevedo

Local

Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL)

Funções

Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia do ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em Lisboa e Investigadora Integrada do CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia), nas áreas de Desigualdades, Migrações e Territórios.

Áreas de especialidade

Sociologia; Teoria e Investigação Social; Análise de Dados em Ciências Sociais

Joana Azevedo é professora auxiliar no Departamento de Sociologia do ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa), em Lisboa e Investigadora Integrada do CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia), nas áreas de Desigualdades, Migrações e Territórios.
Joana Azevedo é Doutorada em Teoria e Investigação Social e Pós-Graduada em Análise de Dados em Ciências Sociais, pela Università degli Studi di Roma La Sapienza e Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE-IUL, respetivamente.
Participa em vários projetos de investigação, com o mais recente a incidir sobre o ‘Apoio e Oposição à Imigração em Portugal numa Perspectiva Comparada’, previsto para terminar em 2019, que procura avaliar a politização das questões da imigração e da integração em Portugal. É autora de várias publicações, incluindo, entre outras, no ‘Journal of Contemporary European Studies’.

Webografia:
https://ciencia.iscte-iul.pt/authors/joana-fonseca-franca-azevedo/cv

Oradores

Manuel Meirinho Martins

Local

Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP)

Funções

Professor Catedrático em Ciência Política

Áreas de especialidade

Ciência Política

Manuel Meirinho Martins é Professor Catedrático no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP), onde concluiu a Licenciatura em Comunicação Social (1987), Mestrado em Ciência Política (1996) e Doutoramento em Ciência política (2003).
Lecciona na área da Ciência Política nas seguintes disciplinas: Representação Política e Sistemas Eleitorais; Cidadania e Participação Política; Laboratório I – Análise de Política Interna (I Ciclo); Seminário Intensivo (II Ciclo); Processo Político Português (III Ciclo); Comunicação e Sistemas Políticos (Pós-Graduação em Comunicação e Marketing Político).
Desenvolve e colabora em projetos de investigação nas áreas da Participação Política; Representação Política; Sistemas Eleitorais, Comunicação Política.
Atualmente é Presidente do ISCSP, Coordenador da Pós-Graduação em Comunicação e Marketing Político e Membro do Conselho Científico do ISCSP

Webografia:
http://www.iscsp.ulisboa.pt/

Oradores

André Blais

Local

Canadá

Funções

Professor

Áreas de especialidade

Comportamento e sistemas eleitorais.

André Blais é professor do departamento de Ciências Políticas na Universidade de Montreal, Canadá, onde é também o Presidente de Investigação da Universidade em Estudos Eleitorais.

É membro da Sociedade Real do Canadá, e investigador no CSDC – Centre for the Study of Democratic Citizenship, no CIREQ – Centre Interuniversitaire de Recherche en Économie Quantitative, e no CIRANO – Center for Interuniversity Research Analysis on Organizations.

André Blais foi Presidente da Associação Canadiana de Ciências Políticas e Presidente da CSES – Comparative Study of Electoral Systems. Recebeu três grandes bolsas de investigação colaborativa do Concelho de Investigação de Ciências Sociais e Humanidades do Canadá. A mais recente destas bolsas de investigação financiou um projeto de 2.5 milhões de dólares, intitulado ‘Making Electoral Democracy Work’, numa colaboração com economistas, cientistas políticos e psicólogos do Canadá, da Europa e Estados Unidos, sobre os impactos dos sistemas eleitorais no comportamento dos eleitores e partidos políticos.

O Professor Blais, tem 19 livros e mais de 180 artigos publicados, 8 volumes editados e mais de 100 capítulos em volumes editados, tendo sido também publicado em mais de 80 revistas científicas diferentes.

Oradores

Andreia Sofia Pinto Oliveira

Local

Escola de Direito da Universidade do Minho

Funções

Professora Auxiliar na Escola de Direito da Universidade do Minho.

Áreas de especialidade

Direito Público, Direitos Humanos, Investigação.

Andreia Sofia Pinto Oliveira é licenciada em pela Faculdade de Direito da Universidade Coimbra em 1997 e defendeu a sua tese de doutoramento em Direito Público na Universidade Nova de Lisboa em 2006. A sua tese “O Direito de Asilo na Constituição Portuguesa – Âmbito de Protecção de um Direito Fundamental”, (384 pág.) focava-se no direito ao asilo como direito fundamental na Constituição Portuguesa e foi publicado em 2009 pela Coimbra Editora. Atualmente é Professora Auxiliar na Escola de Direito da Universidade do Minho. 

Entre 2010 e 2011 trabalhou como consultora do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) em Portugal para efeitos do projeto de Desenvolvimento da Qualidade do Asilo na Europa. 

Em 1999 e 2000, trabalhou como investigadora visitante no Forschungszentrum für internationales und europäisches Ausländer- und Asylrecht, em Konstanz, Alemanha, e no Max-Planck Institut für ausländisches öffentliches Recht und Völkerrecht, em Heidelberg, Alemanha.

Webografia:
http://www.jusgov.uminho.pt/investigadores/andreia-oliveira/

Oradores

Catarina Santos Botelho

Local

Portugal

Funções

Professora; Investigadora

Áreas de especialidade

Direito; Ciências jurídico-políticas

Catarina Santos Botelho é professora auxiliar na Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto. Coordena e leciona várias unidades curriculares de licenciatura, mestrado e doutoramento, para além de ser a coordenadora da Mobilidade e Relações Internacionais do curso de Direito. Lecionou em várias universidades estrangeiras, em estudos pós-graduados, de mestrado e doutoramento, em Itália, Brasil ou Espanha.

É investigadora no Católica Research Centre for the Future of Law e membro do Conselho de Coordenação da Academic Network on the European Social Charter and Social Rights  (ANESC), onde coordena o Observatório para a Tutela dos Direitos Sociais em Contexto Europeu, sendo também membro da International Society of Public Law.

Licenciada, em 2004, pela Escola do Porto da Faculdade de Direito Universidade Católica Portuguesa, recebeu o Prémio Prof. Doutor Francisco Carvalho Guerra, atribuído à melhor média final de licenciatura em Direito. É Mestre (2009) e Doutora (2015) em ciências jurídico-políticas pela UCP-Porto.  Em 2012, foi investigadora convidada do Max Planck Institute for Comparative Public Law and International Law, em Heidelberg, Alemanha, e em 2005 fez um estágio no Tribunal de Justiça da União Europeia, no gabinete do então Advogado-Geral Prof. Doutor Miguel Poiares Maduro.

Integrou conselhos científicos e executivos de dezenas de conferências, nacionais e internacionais e é autora de inúmeras publicações nacionais e internacionais. É Vogal do Conselho Editorial da Revista ‘Católica Law Review’ e da Revista ‘Arquivo Jurídico’ (Brasil) e revisora da ‘Revista de Direito Administrativo’  (Fundação Getúlio Vargas – Rio, Brasil).

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Jean-Benoit Pilet

Local

Universidade Livre de Bruxelas (ULB)

Funções

Ciências Políticas.

Áreas de especialidade

Direito Público, Direitos Humanos, Investigação.

Jean-Benoit Pilet é Professor de Ciências Políticas na Universidade Livre de Bruxelas. O seu trabalho foca-se no sistema eleitoral, reformas eleitorais, reformas democráticas, eleições, Políticas da Europa Ocidental e partidos políticos. É co-autor do livro “Faces on the ballot – The personalization of electoral systems in Europe” (2016, Oxford University Press, com Alan Renwick) e do livro “The Politics of Party Leadership” (2016, Oxford University Press, com William Cross). Tem vários artigos publicados em jornais como European Journal of Political Research, Representation, West European Politics, Party Politics, e Electoral Studies. Nos últimos anos tem coordenado o projeto: Electoral System Changes in Europe (ESCE) que aborda todas as mudanças do sistema eleitoral ao nível nacional na Europa entre 1945 e 2015 (ver http://electoralsystemchanges.eu/Public/TextPage.php?ID=5). O seu novo projeto “Cure or Curse” recebeu recentemente o apoio do Concelho Europeu de Investigação (ERC) para desenvolver o estudo sobre como os cidadãos avaliam as inovações democráticas. 

Webografia: https://www.ulb.ac.be/rech/inventaire/chercheurs/1/CH8831.html

Oradores

João Cancela

Local

Portugal

Funções

Investigador e docente universitário

Áreas de especialidade

Ciência política; Democracia; Participação política; Sistemas eleitorais; Comportamento e opinião pública; Partidos políticos

João Cancela está a concluir o seu doutoramento em Ciência Política na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-NOVA), onde exerce funções de docente assistente convidado e de investigador no Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-NOVA). Trabalha ainda como assistente convidado na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, em Braga, onde tem colaborado na docência de várias unidades curriculares da licenciatura em Ciência Política. 

Ao longo dos últimos anos participou em diversos projectos de investigação coordenados por instituições nacionais e estrangeiras. Actualmente colabora com o projecto “Varieties of Democracy” (Universidade de Gotemburgo e Universidade de Notre Dame), pertencendo à equipa do Centro Regional da Europa do Sul, sediado na FCSH-UNL e com coordenação de Tiago Fernandes. Integra também a equipa do projecto de investigação “Crise, Representação Política e Renovação da Democracia: o caso Português no Contexto do Sul da Europa”, com coordenação de André Freire e Emmanouil Tsatsanis (ISCTE-IUL) e Marco Lisi (FCSH-NOVA). Entre 2015 e 2016 foi investigador visitante na Universidade de Siena, em Itália. Antes disso, trabalhou no Gabinete de Estudos e Relações Internacionais do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural. 

Entre as suas publicações mais recentes sobre o tema da participação política incluem-se os seguintes artigos e capítulos:

João Cancela (2017). “Eleições: Quadros institucionais e dinâmicas de participação” In Tiago Fernandes (coord.), Variedades de Democracia na Europa do Sul, 1968-2016: uma Comparação entre Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. http://www.fcsh.unl.pt/v-dem/Variedades_Democracia_Europa_do_Sul_Tiago_Fernandes.pdf

Marco Lisi e João Cancela (2017), “Types of party members and their implications: results from a survey of Portuguese party members”, Party Politics, (online first). http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/1354068817722445

João Cancela, António Luís Dias e Marco Lisi (2017). “The impact of endorsements in intra-party elections: evidence from open primaries in a new Portuguese party”, Politics, Vol 37, Issue 2, pp. 167 – 183.  http://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/0263395716680125 

João Cancela e Benny Geys (2016). “Explaining Voter Turnout: A Meta-Analysis of National and Subnational Elections”, Electoral Studies 42, 264–275. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261379416300956

Tiago Fernandes, João Cancela, Michael Coppedge, Staffan I. Lindberg e Allen Hicken (2015). “Measuring Political Participation in Southern Europe: The Varieties of Democracy Approach”. Varieties of Democracy Institute: Working Paper No. 15. https://www.v-dem.net/media/filer_public/6f/0b/6f0b01b2-1f3d-4f5f-9b0a-600521012b64/v-dem_working_paper_2015_15.pdf

Oradores

Jorge Pereira da Silva

Local

Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa

Funções

Diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.

Áreas de especialidade

Direito Constitucional, Direitos Fundamentais, Direito Administrativo, Teoria e Ciência Política.

Jorge Pereira da Silva é o Diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, onde concluiu a Licenciatura em Direito (1993), Mestrado (2002) e o Doutoramento em Ciências Jurídico-políticas (2014).

Investiga sobretudo na área do Direito Público e lecionou cadeiras como Direito Constitucional, Direitos Fundamentais e Ciência Politica.  

Foi docente convidado do Instituto de Estudos Políticos da UCP e no Instituto de Estudos Superiores Militares.

Tem sido, desde 1993, Adjunto Principal e Assessor Jurídico do Ministro da República/Representante da República para a Região Autónoma dos Açores. 

De entre os vários livros que tem publicados destaca-se o “Dever de legislar e protecção jurisdicional contra omissões legislativas” (2003), o livro “Direitos de cidadania e direito à cidadania” (2004) e a sua mais recente obra “Deveres do estado de Protecção de Direitos Fundamentais” (2015).

Webografia:

http://www.fd.lisboa.ucp.pt/resources/documents/CVs_CORPO_DOCENTE/CVJorgePereiraSilva.pdf

Oradores

Mariana Lopes da Fonseca

Local

Instituto Max Planck de Direito Fiscal e Finanças Públicas em Munique, Alemanha

Funções

Investigadora científica no Departamento de Economia Pública do Instituto Max Planck de Direito Fiscal e Finanças Públicas.

Áreas de especialidade

Economia Política, Economia Pública.

É investigadora científica no Departamento de Economia Pública do Instituto Max Planck de Direito Fiscal e Finanças Públicas (Max-Planck-Institut für Steuerrecht und Öffentliche Finanzen) em Munique, na Alemanha, desde 2016. 

A sua principal área de investigação é a intersecção da economia política com a economia pública e instituições. Em particular, alguns dos seus estudos mais recentes dedicam-se à identificação do impacto de reformas do financiamento ou organização locais nas respetivas finanças e eleições municipais. 

É autora de artigos científicos publicados em revistas internacionais de renome como a American Journal of Political Science e o Journal of Economic Behavior and Organization.

O seu percurso académico centrou-se sempre em economia. Após se ter licenciado em economia na NOVA School of Business and Economics em 2010, fez um mestrado em economia na mesma instituição e um mestrado em economia financeira na LUISS Guido Carli University em Roma, Itália. Doutorou-se em economia pública com máxima distinção na Universidade de Gottingen na Alemanha em 2016. A sua tese intitulada “The Political Economy of Electoral Reforms: A Tale of Two Countries” estuda reformas ao nível das eleições locais em Portugal e na Alemanha. 

Em Portugal, estudou a introdução do limite de mandatos dos presidentes de câmara e as suas implicações ao nível das finanças locais, bem como a vantagem eleitoral dos incumbentes e respetivos partidos políticos antes da introdução do limite de mandatos.

Webografia:
http://www.tax.mpg.de/en/public_economics/public_economics_people/dr_mariana_lopes_da_fonseca.html

Oradores

Marina Costa Lobo

Local

Portugal

Funções

Cientista Política; Investigadora

Áreas de especialidade

Instituições políticas; Comportamento eleitoral

Marina Costa Lobo (Doutoramento em Ciência Política, Universidade de Oxford 2005, Habilitação em Ciência Política, Universidade de Lisboa 2011) é investigadora Principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) e vice-Presidente do Instituto de Políticas Públicas (IPP). É coordenadora do Observatório da Qualidade da Democracia no ICS. Actualmente, é Investigadora Principal do Projecto ERC Consolidator “MAPLE”, que investiga a politização da Europa antes e depois da crise da zona euro. Foi uma das fundadoras do Projecto de Estudos Eleitorais Portugueses. Os seus interesses de pesquisa incluem o papel dos líderes no comportamento eleitoral, voto económico, partidos políticos e instituições. Tem publicado sobre estes temas e um dos seus últimos livros foi co-organizado com John Curtice e intitula-se: Personality Politics: Leaders and Democratic Elections, Oxford University Press (2015).

Webografia:
https://www.ics.ulisboa.pt/pessoa/marina-costa-lobo

http://marinacostalobo.pt/

Oradores

Nuno Garoupa

Local

EUA

Funções

Professor de Direito

Áreas de especialidade

Direito comparativo; Direito e Economia; Política judicial comparada.

Nuno Garoupa é professor de Direito na George Mason University Antonin Scalia School of Law desde Setembro de 2018 depois de, durante três anos, ter sido professor na Texas A&M University School of Law, e Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa, Portugal, entre 2014 e 2016.

É professor há quase vinte anos (desde 1998) e iniciou este seu percurso na Universitat Pompeu Fabra, tendo depois passado pela Universidade Nova de Lisboa, pela University of Manchester School of Law e pela University of Illinois College of Law.

Nuno Garoupa foi ainda responsável pela Chair in Research Innovation, Católica Global School of Law, entre 2015 e 2018 e vencedor do prémio espanhol Julián Marías, em 2010. Tem mais de cem publicações em revistas internacionais na área do Direito e Economia e é autor de ‘O Governo da Justiça’  (FFMS e Relógio d’Água, 2011), ‘Judicial Reputation: A Comparative Theory’, com Tom Ginsburg (University of Chicago Press, 2015) e ‘Legal Origins and the Efficiency Dilemma’, com Carlos Gómez Ligüerre e Lela Mélon (Routledge, 2017).

Nuno Garoupa é também o atual Presidente da Asociación Española de Derecho y Economia, eleito para o mandato até 2020 e co-editor da ‘International Review of Law and Economics’, desde 2012.

Oradores

Pedro C. Vicente

Local

Portugal

Funções

Professor; Investigador

Áreas de especialidade

Economia; Economia de desenvolvimento; Economia política; Gestão de recursos naturais

Pedro C. Vicente é Professor Associado na Nova School of Business and Economics (NOVA SBE), onde é também o diretor científico fundador do NOVAFRICA – the Nova Africa Center for Business and Economic Development. Especializado em economia de desenvolvimento e África, com enfoque em assuntos de economia política, Pedro Vicente está, atualmente, a trabalhar em projetos relacionados com o desenvolvimento impulsionado pela comunidade em Angola, incentivos de agentes de saúde comunitária na Guiné-Bissau e a gestão de recursos naturais em Moçambique.

A sua principal linha de investigação tem sido o desenho e implementação de experiências de campo em larga escala, complementadas por medidas comportamentais, no contexto de campanhas de informação. Muitas destas campanhas estão relacionadas com eleições e a mobilização de cidadãos para a participação política.

Para além de ter sido professor convidado na Universidade de Notre Dame e consultor para o Banco Mundial, Pedro Vicente, foi docente e investigador na Universidade de Oxford e no Trinity College Dublin. Atualmente, é um dos académicos principais do International Growth Center (IGC), investigador afiliado no Bureau for Research in Economic Analysis of Development (BREAD), membro fundador do Evidence in Governance and Politics (EGAP) e investigador não residente no Navarra Center for International Development.

Tem artigos publicados em revistas científicas de referência na área da economia tais como a ‘Review of Economics and Statistics’, o ‘Economic Journal’ ou o ‘Journal of Development Economics’, sendo também editor associado do ‘Journal of African Economies’. As suas investigações têm sido financiadas por agências nacionais e internacionais como a DFID (Department for International Development), USAID (United States Agency for International Development), 3IE (International Initiative for Impact Evaluation), IZA (Institute for the Study of Labour) e FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia).

Pedro Vicente é Mestre e Doutor em economia pela University of Chicago e Mestre em economia pela London School of Economics.

Webografia: http://www.pedrovicente.org

Oradores

Pedro Magalhães

Local

Portugal

Funções

Cientista Político; Investigador

Áreas de especialidade

Comportamento eleitoral; Atitudes sociais e políticas; Opinião pública; Política constitucional e judicial.

Pedro Magalhães é investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. As suas investigações centram-se nos comportamentos eleitorais, atitudes sociais e políticas, opinião pública e políticas constitucionais e judiciais.

Em 2003, recebeu o seu doutoramento pela Ohio State University, com uma dissertação acerca do papel político dos tribunais constitucionais em Espanha e Portugal. Entre 1999 e 2009, trabalhou na CESOP – Centro de Estudos e Sondagens de Opinião, da Universidade Católica Portuguesa, o mesmo centro de estudos que dirigiu entre 2005 e 2009. Entre 2014 e 2017, foi director científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Actualmente, Pedro Magalhães dirige o consórcio PASSDA-Production and Archive of Social Science Data, integrado no Roteiro Nacional de Investigação de Interesse Estratégico, e que reúne doze centros de investigação em ciências sociais em Portugal. É membro do Module 5 Planning Committee do CSESComparative Study of Electoral Systems e é, desde novembro de 2017, membro do Scientific Advisory Board do European Social Survey.

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Susan Banducci

Local

UK

Funções

Professora; Investigadora

Áreas de especialidade

Comportamento eleitoral comparativo; Media e comunicação política

A professora Susan Banducci é a diretora do Exeter Q-Step Centre que se foca em métodos quantitativos avançados nas ciências sociais. A sua pesquisa concentra o comportamento comparativo eleitoral e a opinião pública e aborda questões sobre desigualdades na participação.

Ela é diretora e co-investigadora de uma série de projetos financiados que procuram perceber os efeitos das notícias e informações no novo ecossistema mediático. Colaborou em projetos internacionais como o Estudo Eleitoral da Nova Zelândia e o Estudo Eleitoral Europeu. E dirigiu duas redes de formação para investigadores em início de carreira financiadas pela Marie Curie da UE [ELECDEM & VOTEADVICE].

Através da sua pesquisa, ela procura fortalecer a capacidade de utilização e treino em métodos avançados de ciências sociais, bem como desenvolver abordagens inovadoras para o estudo comparativo de eleições que se baseiam em técnicas de ciências sociais computacionais.

Webografia: http://socialsciences.exeter.ac.uk/politics/staff/banducci/

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